quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Cântico Negro (José Régio)

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...

Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Registos de Barcelona



Barcelona não é uma cidade deslumbrante; as ruas sujas e um certo anarquismo de cimento não despertam as emoções que esperei. No entanto, a fantástica praxis turística em torno das várias particularidades arquitectónicas vendem muito bem a imagem impressionante da Barcelona desenhada, entre outros, por Gaudí e por Lluís Domènech i Montaner. Sem dúvida que estruturas como o Parc Guëll e o Palau de la Musica Catalana deixam saudade e a vontade de voltar.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Parabéns, Deolinda (pela distinção)

A noite vinha fria
Negras sombras a rondavam
Era meia-noite
E o meu amor tardava

A nossa casa, a nossa vida
Foi de novo revirada
À meia-noite
O meu amor não estava

Ai, eu não sei aonde ele está
Se à nossa casa voltará
Foi esse o nosso compromisso

E acaso nos tocar o azar
O combinado é não esperar
Que o nosso amor é clandestino

Com o bebé, escondida,
Quis lá eu saber, esperei
Era meia-noite
E o meu amor tardava

E arranhada pelas silvas
Sei lá eu o que desejei:
Não voltar nunca...
Amantes, outra casa...

E quando ele por fim chegou
Trazia as flores que apanhou
E um brinquedo pró menino

E quando a guarda apontou
Fui eu quem o abraçou
Que o nosso amor é clandestino

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Almost There

As horas que atecedem a viagem de avião são sempre angustiantes... Os motivos para esta angústia confundem-se entre a necessidade de sair daqui (e refiro-me a uma boa parte de tudo) e uma espécie de fobia que, apesar de clinicamente pouco significativa, gera emoções menos agradáveis. Parece-me sobretudo evidente a vontade de que as horas passem rápido, ou seja, também elas voem, com velocidade muito maior face àquela com que se regressa! Anseio perder-me para encontrar qualquer coisa de novo e de antigo. Trarei imagens estáticas... Tentarei trazer também registos dinâmicos, daqueles que enriquecem, mas não se partilham!!!

Bom fim-de-semana prolongado para todos!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Vida tão Estranha

São de veludo as palavras
Daquele que finge que ama
Ao desengano levo a vida
A sorte a mim já não me chama

Vida tão só
Vida tão estranha
Meu coração tão mal tratado
Já nem chorar me traz consolo
Resta-me só o triste fado

A gente vive na mentira
Já nem dá conta do que sente
Antes sozinha toda a vida
Que ter um coração que mente

Rodrigo Leão, A Mãe (2009)

domingo, 29 de novembro de 2009

Apeteceu-me...

I have climbed highest mountains
I have run through the fields
Only to be with you
Only to be with you
I have run
I have crawled
I have scaled these city walls
These city walls
Only to be with you

But I still haven't found what I'm looking for
But I still haven't found what I'm looking for

I have kissed honey lips
Felt the healing in her fingertips
It burned like a fire
This burning desire

I have spoke with the tongue of angels
I have held the hand of a devil
It was warm in the night
I was cold as a stone

But I still haven't found what I'm looking for
But I still haven't found what I'm looking for

I believe in the Kingdom Come
Then all the colors will bleed into one
Bleed into one
But yes I'm still running

You broke the bonds
And you loosed the chains
Carried the cross
Of my shame
Oh my shame
You know I believe it

But I still haven't found what I'm looking for
But I still haven't found what I'm looking for

U2
But I still haven't found what I'm looking for

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Em contagem decrescente

Falta uma semana para voar... Voar desta cidade, deste país, deste trabalho, destas gentes... Infelizmente os pensamentos e os sentimentos duros não voam com a mesma controlabilidade! Venha Barcelona...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Um Atlântico esgotado!!!

A Loucura...

Depeche Mode, 14 Nov 09


Para jamais esquecer! Fiquem com um registo; o concerto foi breve e a acústica do pavilhão atlântico deixa muito a desejar... Mas dei o dinheiro por muito bem entregue! Ah, e continuo a preferir ver concertos na plateia...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Some Bedtime Music

domingo, 8 de novembro de 2009

Classicamente sentindo...

Não te amo, quero-te: o amor vem da alma.
E eu na alma - tenho a calma,
A calma - do jazigo.
Ai! Não te amo, não.

Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida - nem sentida
A trago eu já, comigo.
Ai, não te amo, não!

Ai! Não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.

Almeida Garret, Folhas Caídas (1853, excerto)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Para a despedida!

Eles não sabem que o sonho
É uma constante da vida
Tão concreta e definida
Como outra coisa qualquer

Como esta pedra cinzenta
Em que me sento e descanso
Como este ribeiro manso
Em serenos sobressaltos

Como estes pinheiros altos
Que em verde e oiro se agitam
Como estas aves que gritam
Em bebedeiras de azul

Eles não sabem que sonho
É vinho, é espuma, é fermento
Bichinho alacre e sedento
De focinho pontiagudo
Em perpétuo movimento

Eles não sabem que o sonho
É tela, é cor, é pincel
Base, fuste ou capitel
Arco em ogiva, vitral,
Pináculo de catedral,
Contraponto, sinfonia,
Máscara grega, magia,
Que é retorta de alquimista

Mapa do mundo distante
Rosa dos ventos, infante
Caravela quinhentista
Que é cabo da boa-esperança

Ouro, canela, marfim
Florete de espadachim
Bastidor, passo de dança
Columbina e arlequim

Passarola voadora
Pára-raios, locomotiva
Barco de proa festiva
Alto-forno, geradora

Cisão do átomo, radar
Ultra-som, televisão
Desembarque em foguetão
Na superfície lunar

Eles não sabem nem sonham
Que o sonho comanda a vida
E que sempre que o homem sonha
O mundo pula e avança
Como bola colorida
Entre as mãos duma criança.

Pedra Filosofal, António Gedeão

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O que há em mim é sobretudo cansaço!

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos

(Would like to make a) Wishlist!

I wish I was a neutron bom, for once I could go off
I wish I was a sacrifice but somehow still lived on
I wish I was a sentimental ornament you hung on
The Christmas tree, I wish I was the star that went on top
I wish I was the evidence, I wish I was the grounds
For 50 million hands upraised and open toward the sky

I wish I was a sailor with someone who waited for me
I wish I was as fortunate, as fortunate as me
I wish I was a messenger and all the news was good
I wish I was the full moon shining off a Camaro´s hood

I wish I was an alien at home behind the sun
I wish I was the souvenir you kept your house key on
I wish I was the pedal brake that you depend on
I wish I was the verb "to trust" and never let you down

I wish I was a radio song, the one that you turned up
I wish...
I wish...

Pearl Jam, Yield (1999)

domingo, 1 de novembro de 2009

Quiet, please!!!

Daqueles momentos em que só nos apetece mandar à m....! Vou escrever um livro; ou escrever qualquer coisa (sem valor acrescentado) no mundo dos sonhos!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O que se sente consiste sempre em qualquer coisa vã!

Hoje 'stou triste, 'stou triste.
'Starei alegre amanhã...
O que se sente consiste
Sempre em qualquer coisa vã.

Ou chuva, ou sol, ou preguiça...
Tudo influi, tudo transforma...
A alma não tem justiça,
A sensação não tem forma.

Uma verdade por dia...
Um mundo por sensação...
'Stou triste. A tarde está fria.
Amanhã, sol e razão.

Fernando Pessoa

Deixa-me ouvir o que não ouço!!!

Deixa-me ouvir o que não ouço...
Não é a brisa ou o arvoredo;
É outra coisa intercalada...

É qualquer coisa que não posso
Ouvir senão em segredo,
E que talvez não seja nada...

Deixa-me ouvir... Não fales alto!
Um momento !... Depois o amor,
Se quiseres... Agora cala !

Tênue, longínquo sobressalto
Que substitui a dor,
Que inquieta e embala...

O quê? Só a brisa entre a folhagem?
Talvez... Só um canto pressentido?
Não sei, mas custa amar depois...
Sim, torna a mim, e a paisagem

E a verdadeira brisa, ruído...
Vejo-me, somos dois...

Fernando Pessoa

(Gostaria de) Fazer as malas para o Definitivo!!!

Arrumar a vida, pôr prateleiras na vontade e na ação.
Quero fazer isto agora, como sempre quis, com o mesmo resultado; Mas que bom ter o propósito claro, firme só na clareza, de fazer qualquer coisa!

Vou fazer as malas para o Definitivo,
Organizar Álvaro de Campos,
E amanhã ficar na mesma coisa que antes de ontem - um antes de ontem que é sempre...
Sorrio do conhecimento antecipado da coisa-nenhuma que serei. Sorrio ao menos; sempre é alguma coisa o sorrir...
Produtos românticos, nós todos...
E se não fôssemos produtos românticos, se calhar não seríamos nada.
Assim se faz a literatura... Santos Deuses, assim até se faz a vida!

Os outros também são românticos,
Os outros também não realizam nada, e são ricos e pobres,
Os outros também levam a vida a olhar para as malas a arrumar,
Os outros também dormem ao lado dos papéis meio compostos,
Os outros também são eu.
Vendedeira da rua cantando o teu pregão como um hino inconsciente,
Rodinha dentada na relojoaria da economia política,
Mãe, presente ou futura, de mortos no descascar dos Impérios,
A tua voz chega-me como uma chamada a parte nenhuma, como o silêncio da vida...
Olho dos papéis que estou pensando em arrumar para a janela,
Por onde não vi a vendedeira que ouvi por ela,
E o meu sorriso, que ainda não acabara, inclui uma crítica metafisica.
Descri de todos os deuses diante de uma secretária por arrumar,
Fitei de frente todos os destinos pela distração de ouvir apregoando,
E o meu cansaço é um barco velho que apodrece na praia deserta,
E com esta imagem de qualquer outro poeta fecho a secretária e o poema...
Como um deus, não arrumei nem uma coisa nem outra...

Fernando Pessoa

sábado, 24 de outubro de 2009

Crazy people out there!

"You can close your eyes to the things you do not want to see, but you cannot close your heart to the things you do not want to feel".

Sleepless Heart (A Mãe, Rodrigo Leão)

Esta foi a minha música do dia...

“Believe I wish you no destress
I wish you only well
I only sensed
That my heart as to move on
I feel so ugly, shy
Perhaps I should hold back
And force me on to lie
Foolish love
Soon will fall apart
Why can't ease
For a sleepless heart
To look at you could ease my pain
Could be enough for me
I've lost myself
As we lost one another
I wonder if you know
The way you reached my heart
And touched my alien soul
Foolish love
Soon will fall apart
Why can't ease
For a sleepless heart
Now
Foolish love
Soon will fall apart
Why can't ease
For a sleepless heart
Now
Soon
Foolish love
Soon will fall apart”

domingo, 18 de outubro de 2009

Percurso Pré-Industrial











E que tal passar um domingo com malta porreira, juntar-lhe um pouco de História (ruínas romanas) e de exercício físico, conjugado com paisagens simpáticas onde predominam cascatas e diversas tonalidades de um verde "tão natural como qualquer sede"? Santo Tirso é a resposta; não percam 0 percurso pedestre "pré-industrial"... Produções André Azevedo








E nada melhor como um jantar bem regado para finalizar! Da responsabilidade do Paulo, Sílvia ed Ricardo. À minha conta, uns míseros dois jesuítas! Enfim, vou ter que compensar a malta um dia destes...








Boa semana!








Sleep tight, Mr. Jingles!!!

sábado, 17 de outubro de 2009

Justificando a literacia paupérrima

Fim-de-semana... Estranho não conseguir saborear o sossego, a serenidade e a disponibilidade eventualmente impostas por aqueles dias da semana em que supostamente não há despertadores a melgar, em que não há consultas ou formação para dar, em que todo o tempo pode ser aproveitado do modo que se quer e como se quer!!!

Esbarro com esta indefinição de querer, em que parece que tudo em que se crê (ou se quer) é o que já se teve, já não se tem e jamais se voltará a ter... Tanta cronicidade deste potencialmente só se estar bem onde não se está, levanta o véu de um certo funcionamento obsessivo-depressivo aborrecido!

Que chato este cérebro rotineiro... Basta-se tanto da monotonia que se esquece de fazer as opções mais favoráveis! Onde paira a lucidez?

Cansaço, talvez seja isso... Cansaço! Justificada a literacia paupérrima....

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Objectivos!

O caminho faz-se caminhando, é um facto! Mas também se faz com uma perspectiva mais ou menos lúcida de onde (ou como) se quer chegar... Às vezes, vai-se apenas, não sabendo nem como nem para onde! Parece bastar a sensação de movimento... Talvez sim, talvez não!

Entre a melancolia matutina e o suor vespertino, muitos passos se arriscam!!!

Mais ou menos à distância, vejo qualquer coisa: em breve Depeche Mode, depois Barcelona, Madrid, Florença...

Na outra margem, o orgulho de crescer!

Sleep tight, Mr. Jingles!!!

domingo, 11 de outubro de 2009

"Rows of houses all bearing down on me
I can feel their blue hands touching meAll these things in all positions
All these things will one day take control
And fade out again and fade out
This machine will will not communicate these thoughts
And the strain I am underBe a world child form a circle before we all go under
And fade out again and fade out again
Cracked eggs dead birds
Scream as they fight for lifeI can feel death can see it´s beady eyes
All these things into frution
All these things we´ll one day swallow whole
And fade out again and fade out again."

(The Bends, Radiohead)

Some bedtime music

"Two jumps in a week, I bet you think that's pretty clever don't you boy.
Flying on your motorcycle, watching all the ground beneath you drop.
You'd kill yourself for recognition; kill yourself to never ever stop.
You broke another mirror; you're turning into something you are not.

Don't leave me high, don't leave me dry
Don't leave me high, don't leave me dry

Drying up in conversation, you will be the one who cannot talk.
All your insides fall to pieces, you just sit there wishing you could still make love
They're the ones who'll hate you when you think you've got the world all sussed out´
They're the ones who'll spit at you. You will be the one screaming out.

Don't leave me high, don't leave me dry
Don't leave me high, don't leave me dry

It's the best thing that you've ever had, the best thing that you've ever, ever had.
It's the best thing that you've ever had; the best thing you've had has gone away.

Don't leave me high, don't leave me dry
Don't leave me high, don't leave me dry
Don't leave me high, don't leave me high
Don't leave me dry".

(The Bends, Radiohead)

O meu cérebro parece um novelo!

Passei a tarde numa espécie de retiro cognitivo... Sinto o cérebro como se estivesse todo embulhado... Um novelo de ideias e sentimentos, dos quais sobressai o medo! Talvez o dormir sobre o assunto me "desconfuse"! Venha a semana de trabalho; há evitamentos cognitivos que dão muito jeito! Antes isso que o córtex em forma de novelo :(

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Anedonia

Morre lentamente quem não viaja
"Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado, não arrisca vestir uma cor nova, não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere O "preto no branco" E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da
Chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!»

Pablo Neruda

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

"Para uma Formadora Especial"


Hoje terminei mais uma formação! Não esperava tanto reconhecimento e não consegui conter as lágrimas... O Mr. Jingles fartou-se de gozar comigo. Sabendo que eu estou sempre pronta a criticar o meu trabalho, virou-se para mim com aquela expressão de quem pergunta: "Então como é que vais explicar isto, hein?"! Pois, rendo-me às evidências! Acho que descobri um domínio profissional em que me sinto melhor do que "peixe na água". Na verdade, e no que toca à realização profissional, somos sempre especiais em algo... o desafio é ir trilhando um percurso sério, cuidadoso e com o maior profissionalismo! Aos meus grupos de Alvaiázere, aqui deixo um profundo apreço e agradecimento...

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

2010 Europeu

Pois é... Isto de trabalhar, trabalhar e trabalhar também tem que dar os seus frutos! Há que estar atenta, apanhar uma promoçãozita e arranjar boa companhia! A receita fica pronta e vai ao forno: passagem de ano em Madrid e Carnaval em Amesterdão!!! É desta que fico culta...

Sim, Mr. Jingles, também terás lugar marcado!!!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

"Fatias de Cá" - alguns registos idiossincráticos







Fatias de Cá... Um vinho velho junto de um conceito novo de fazer (e sentir) Teatro

Até ao final do mês de Outubro, a Quinta da Regaleira, em Sintra, é palco de Teatro. Com sede em Tomar, o "Fatias de Cá" alia o conceito invoador do teatro andante (tendo como cenários o Convento de Cristo, a Quinta da Regaleira, Palácio Sotto Mayor, ect) ao requinte das refeições servidas com um bom vinho (caseiro) e as excelentes doçarias conventuais!!! Um novo conceito a descobrir e a provar... Eu gostei! http://www.fatiasdeca.com/

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Momentos por terras de Sintra...











Lembram-se da sensação de acabar de ler um livro? Confesso que já não me lembrava; não porque não tenha lido livros ultimamente, mas porque a este final colaram-se um conjunto de experiências que me fizeram senti-lo como especial. O livro não é dos mais estimulantes que li até hoje, nem tampouco dos mais ricos do ponto de vista literário… Paciência! É que nem só de riqueza literária vivem as nossas motivações para a leitura! A narrativa cola-se na perfeição a este último ano! Tal como Holly, vou aprendendo a estar e a viver sozinha, substituindo a tendência para chorar e reclamar as perdas do passado pela coragem de enfrentar o presente, com toda a solidão que tal possa significar… Este fim-de-semana dei um novo passo: passeei sozinha, não me recusei à diferença e convidei a minha mana para jantar! Senti-me muito bem…

Sintra não engana: “Ninguém pode sonhar por ti!”… Eu acrescento: “calça os botins, arregaça as mangas e faz-te à vida!”

Mr. Jingles está aqui ao meu lado e acabou de sorrir para mim; humm, vejo na cara dele um misto de alívio e de orgulho... Porque será? Thank You, Mr. Jingles!!! YES, YOU WERE RIGHT!!!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

De regresso à imagem estática, mas desta vez nos bastidores!

Sexta-feira à noite... depois de uma semana intensa de trabalho e após a quinta etapa de actividade (in)formadora nocturna da semana!!! No meio do cansaço perco-me na dúvida: o que vou fazer?Posso ir para tanto lado ou rumar para lado nenhum, aceitar o convite para jantar na mesma terra e com a mesma (boa) companhia de sempre... Ui ROTINA... espera lá, o Mr. Jingles está aqui a sussurrar e a relembrar que a rotina está a ser fixe!

Bem, após esta intromissão mamífera (e pouco enquadrável no texto), continuo... Ah, liberdade de escolha... entre ficar com mais do mesmo ou de pegar no diferente; bem, o carro é o mesmo, a música também não será muito dispar, a família (felizmente) mantém-se e a viver no sítio do costume... mas cada viagem traz instantes novos! Deambulo numa solidão pensativa, refazendo a semana, antevendo o fim-de-semana e reactualizando as memórias... Pela noite escura, Sintra demora a chegar, e enquanto isso, entretenho-me com a minha cabeça descobrindo novas formas de narrar as histórias do costume...

Pois é, este fim-de-semana vou para Sintra... passear, praia, Teatro, conhecidos... e decidi comprar uma máquina fotográfica! Os tempos de frente para a objectiva já lá vão e o Mr. Jingles convenceu-me a encontrar um novo papel e uma nova orientação; acho que desta vez é ele quem quer posar para a foto...

Regressarei na 2ªf, talvez, com registos estáticos (e conteúdos de maior valor literário)... Mr. Jingles vai comigo :)

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Good Morning, Mr. Jingles

Acordei... ou melhor, fui acordando, piscando os olhos, forçando o levantar e o agarrar o dia... Ando a tentar perceber o objectivo de tanto esforço; esforçar sem objectivo é lixado, sobretudo quando o objectivo é alimentar a percepção do esforço em si... Esvazia quando o esforço deixa de fazer sentido ao perceber que afinal há uma finalidade para além desse ascetismo!

Ups, nesta profunda e inquietante reflexão acabo por esbarrar com a treta do costume: ora, é para ser feliz! Xiça, e para isso é preciso tanto esforço? Sem querer grito um pouco alto e ouve-me um tal de Mr. Jingles, que não é mister nem Jingles, mas que pretende tornar-se coisa alguma... Combinamos alguns encontros; e a verdade é que ele vai aparecendo; ok, sem o esforço, brio literário ou esmero humorístico que caracteriza muitos dos outros que andam por aí, e que também não são nem mister nem Jingles!

Abanando o rabito e sacudindo o bigode, vai dando um ar discreto da sua graça; tão discreto que talvez quase ninguém lhe conseguirá atribuir um valor acrescentado. Mas não há problema: ele vai espreitando apenas para abanar o rabito e sacudir o bigode!!!